Achei curioso que através de alguns textos que descobri e alguns passeios que dei (principalmente na zona da Bica), se me tenha deparado, a importância quase desconhecida, dos galegos na história da cidade de Lisboa, partilho assim o que descobri.
A escolha do nosso país como destino pelos galegos remonta ao início da nossa nacionalidade, contudo parece que a sua influencia na sociedade lisboeta foi mais sentida nos séculos XVII e XIX, seja a servirem como criados das famílias abastadas, ou na sua maioria tanto como “aguadeiros” como carregadores e moços de fretes.
Os primeiros eram responsáveis pelo transporte e venda de água porta a porta na cidade, figura característica do povo, eram fáceis de ver junto aos chafarizes, juntos em companhias e dirigidos por capatazes, enchiam os seus barris de 25 litros, trabalhando durante todo o ano.
Com pregões curiosos, lançados nas ruas íngremes dos bairros populares de Lisboa, eram muitas vezes ridicularizados e humilhados.
Os carregadores, com as suas cordas e padiolas, efectuavam todas as tarefas pesadas que numa altura como a descrita e sem apoios mecânicos nenhuns são fáceis de imaginar.
No século XIX, chegou a ser pensada uma ordem de expulsão das cidades portuguesas destes galegos, teria originado a quase paralisação das mesmas, pois representavam mais de um décimo da população lisboeta por exemplo.
Parte dos galegos acabou por conseguir montar a sua venda ou casa de bebidas, sendo ainda relativamente fácil de encontra-los à frente de tascas até meados do século XX.
Naturalmente que o sonho de todos passava por amealhar algum dinheiro em troca do seu trabalho, de maneira a poder voltar para sua terra com uma velhice assegurada. O mesmo que tantos portugueses fizeram com destino à Europa ou às Américas.
Acho que estes ciclos se repetem e que por vezes temos a tendência de esquecer quando estamos na mó de cima, como foi a nossa história e como poderá a vir a ser novamente o nosso futuro… julgo que devemos tratar com respeito aqueles que nos procuram para melhorar as suas vidas e que também nos podem ajudar a melhorar a nossa sociedade e o nosso país.
É a vida de emigrante. Normalmente começa-se de baixo, com grandes dificuldades, onde o sacrifício de cada dia é atenuado com ilusão de voltar a casa. Os dias e os anos passam, o regresso torna-se uma miragem. A maioria acaba por ficar, têm filhos e a estadia torna-se inevitável. Nascem associações, pequenas comunidades onde se atenua a saudade da Pátria. Os filhos crescem diferentes, com outros objectivos, fundidos na sociedade não vêem no regresso á Terra dos pais, um objectivo de vida, mas sim um local de férias. Os pais vão e os filhos ficam. Difícil a vida de emigrante.
Comentar post