Quarta-feira, 9 de Março de 2011
Marcas do abastecimento de água a Lisboa
O abastecimento de água teve sempre um papel importantíssimo na Historia da cidade de Lisboa. Ao longo dos séculos com o crescimento da população a falta de recursos foi-se tornando um problema a vencer.
Para resolver isto e assegurar esta necessidade vital, foram feitas obras de envergadura esmagadora. Prova disso é o impressionante Aqueduto das Águas Livres sobre o vale de Alcântara e o Arco Triunfal das Amoreiras junto à Mãe de Água, sem esquecer os numerosos chafarizes espalhados na zona mais antiga da urbe. Estes monumentos para além da sua função, simbolizavam e celebravam ainda para o futuro, a memória da vitória do homem sobre a natureza e os elementos.
Hoje são uma marca da cidade que devemos valorizar, aqui ficam alguns exemplos.
Sobre o Chafariz D´El Rei, e que também se enquadra neste assunto podem ver o meu post - http://olharescruzados.blogs.sapo.pt/20419.html

Aqueduto das Águas Livres

Chafariz do Largo do Mastro

Chafariz do Largo do Rato

Arco Monumental das Amoreiras e aquedutos nas fotografias que se seguem


Quinta-feira, 10 de Setembro de 2009
Bragança - Viagem até ao outro lado dos montes



Nestas fotografias e de cima para baixo:
- Castelo de Bragança do século XV, possui quinze torres, a torre de menagem com 34 metros de altura é monumental. Funciona no seu interior o Museu Militar.
- Igreja de Santa Maria (também designada de Nossa Senhora do Sardão).
- Domus Municipalis, o monumento mais conhecido da cidade, românico, era a sala de reuniões do conselho municipal.
Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
A Nobreza de Vercingetorix
A Historia Militar tem momentos marcantes que me atraem, momentos de bravura e de nobreza, que definem o carácter humano, um deles que tem uma aura especial é o seguinte:
A rebelião do chefe dos gauleses Vercingetorix, foi um dos mais impressionantes e emocionantes acontecimentos da história antiga. O grande líder, decepcionado pelo conformismo da nobreza gaulesa com a ocupação romana, "faz noz campos" narrou César,"um alistamento de miseraveis e homens perdidos. Com esta tropa chama ao seu exército todos os que vai encontrando, exosta-os a tomarem armas pela liberdade comum".
Nessa altura a provincia inteira da Gália ferveu. O gaulês revoltoso conseguiu impor uma derrota parcial às legiões de César que tentaram capturá-lo primeiro em Gergovia chamando então o povo a uma guerra total contra os romanos. Ordenou que queimassem tudo, as cabanas e as colheitas, nada deixando ao invasor. César, porém, recupera-se e aplica sucessivas derrotas à cavalaria gaulesa.
Vercingetorix, retirou-se com 80 mil homens e 9 mil cavalos para Alesia no alto de uma montanha, pensando repetir Gergovia, onde resistira com êxito ao cerco dos romanos. Só que desta vez foi diferente. César tomou precauções. Os seus engenheiros traçaram rapidamente um plano de circunvalação da fortificação dos gauleses. De novo os 55 mil legionários empunharam a pá para trabalhar. Em seis semanas, abriram mais de vinte quilómetros de trincheiras, montando um complexo sistema de valas, fossas, armadilhas e uma paliçada completa, com torres erguidas a cada 120 metros. César decidira-se matar os gauleses pela fome através do cerco.
Vercingetórix, deixou sair a sua cavalaria, ordenou que trouxessem reforços de todas as partes da Galia. Novamente César acautelou-se. Uma outra circunvalação foi escavada, desta vez voltada para fora, para poder resistir ao inevitável ataque que viria dentro de tempos. De facto, uma massa de 250 mil gauleses de quase todas as tribos partira em socorro do comandante gaulês cercado.
Enquanto isso, no interior da cidade cercada, a fome fazia seus estragos. Casos de do começaram a ocorrer. As esperanças de Vercingétorix de ser salvo desapareceram quando ele viu de lá do alto da sua paliçada, os romanos de César aplicarem uma derrota esmagadora nos reforços que viriam tirá-lo do cerco. A batalha pela liberdade estava perdida. A Galia estava derrotada e cativa. César vencera.
No dia a seguir ao desastre, quando não havia na Gália inteira nenhuma força organizada para poder fazer reverter o cerco, Vercingetorix convocou o concelho militar dos seus oficiais segundo César " demonstra-lhes que havia empreendido a guerra, não por interesse seu particular, mas pela liberdade comum, e pois que se tinha que ceder à fortuna, se lhes oferecia para uma de duas coisas, ou par a sua morte satisfazer os romanos, ou para o entregarem vivo aos mesmos, como melhor entenderem"
E foi assim que procedeu. Montando no seu corcel, vestido de luzente armadura, Vercingetorix cavalgou para o acampamento do inimigo. César recebeu-o num estrado improvisado, onde se sentava num pequeno trono. Ordenou ao vencido que entregasse o cavalo e as suas armas aos guardas.
Vercingetorix desfez-se de tudo e foi sentar-se aos pés de César. Os demais gauleses e as suas famílias sobreviventes foram entregues aos legionários como escravos e prémio de guerra. O bravo Vercingétorix foi posteriormente conduzido a Roma e atirado em uma cela, onde terminou estrangulado, cinco anos depois de Alésia.
É Plutarco que fornece o melhor relato, na sua História dos gauleses:
Vercingétorix não esperou que os centuriões romanos o arrastassem de pés e punhos atados até os joelhos de César. Montando um cavalo ajaezado como para um dia de batalha, vestindo ele próprio a sua mais rica armadura, saiu da cidade e atravessou a galope a distância entre os dois acampamentos, até o lugar onde estava o procônsul. Fosse pois que a rapidez da corrida o levasse muito longe, fosse porque estivesse cumprindo apenas um cerimonial antiquado, girou em círculo em volta do tribunal, saltou do cavalo e tomando a espada, o dardo e o capacete, lançou-os aos pés do romano, sem pronunciar uma palavra. Esse gesto de Vercingétorix, o seu brusco aparecimento, o seu porte elevado, o seu rosto orgulhoso e marcial causaram entre os espectadores uma comoção involuntária. César ficou surpreso e quase assustado. Guardou o silêncio por alguns instantes. Mas em seguida, explodindo em acusações e invectivas, censurou o gaulês pela "sua antiga amizade e por seus benefícios que ele havia retribuído tão mal". Depois, fez um sinal a seus lictores para que o atassem e o arrastassem pelo acampamento. Vercingétorix sofreu em silêncio. Os lugares-tenentes, os tribunos, os centuriões que cercavam o procônsul, mesmo os soldados, pareciam vivamente comovidos. O espectáculo de um tão grande e nobre infortúnio falava a todas as almas. Só César permaneceu frio e cruel. Vercingétorix foi conduzido a Roma e lançado num cárcere infecto, onde esperou durante seis anos que o vencedor viesse exibir no monte Capitolino o orgulho do seu triunfo. Pois só nesse dia o patriótico gaulês haveria de encontrar, sob o machado do carrasco, o fim de sua humilhação e de seus sofrimentos.
O anseio pela luta pela liberdade, pela possibilidade de seguir o caminho que queremos e não o que nos é imposto, é um dos mais antigos direitos e objectivos humanos, e um dos mais louváveis.
Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
Igreja da Conceição a Nova de Lisboa
Surgiu entre colegas na hora de almoço a curiosidade sobre o facto de se existe uma Igreja da Conceição Velha (Rua da Alfandega), onde é ou era a da Conceição Nova. Mal sabíamos nós que por feliz coincidência, o nosso serviço se localiza onde em tempos existia a citada igreja, facto que leva a que assim trabalhemos em chão sagrado.
Assim decidi-me a investigar um pouco a historia desta igreja e descobri que era um edifício dos fins do século XVIII (1794 conclusão), foi construída para substituir a primitiva Conceição a Nova de 1699 que tinha ficado muito destruída pelo terramoto. Desenho do arquitecto Remigio Francisco de Abreu e o tecto de Francisco Leite, foi demolida na década de 50 do século XX, para dar lugar ao actual edifício da Caixa Geral de Depósitos que contempla o quarteirão entre a Rua do Ouro e a Rua Nova do Almada, era nesta ultima rua que se localizava a fachada principal da igreja.
Hoje trabalho junto a uma janela mais ou menos situada onde era o portal de entrada do templo.
Aqui estão duas fotografias com aspectos da demolição.
Quarta-feira, 14 de Janeiro de 2009
Shakespeare
Terça-feira, 6 de Janeiro de 2009
Gripe
Anda meio mundo a espirrar com gripe, entupindo urgências de hospital, como fosse uma catástrofe, sei que muita desta ansiedade é provocada pelos media, que adoram um bom pânico geral para vender noticias.
Como não nos podemos esquecer que surtos de gripe existem todos os anos, aqui está uma imagem curiosa que encontrei na net, é de uma altura em que a situação era realmente perigosa (Gripe Espanhola - 1918), parece que já passou uma eternidade desde que o planeta andava a tremer com medo da gripe das aves...

Quarta-feira, 26 de Novembro de 2008
Leal da Câmara
Por vezes quanto mais perto estamos dos locais menos tendência temos de lá irmos (o caso mais paradigmático é o de um amigo meu ateniense que nunca visitou a Acrópole), vem isto a propósito do facto de desde sempre passar à porta do Museu Leal da Câmara e nunca lá ter entrado, até que recentemente e em boa hora decidi fazer-lhe uma visita.
Leal da Câmara (1876 -1948), foi um grande caricaturista do inicio do século XX as suas sátiras à monarquia e à igreja fizeram com que tivesse que procurar refugio numa primeira fase em Madrid e mais tarde em Paris, onde colaborou em muitas publicações.
De regresso a Portugal depois da implantação da Républica e fugindo da Grande Guerra que assolava a França, veio leccionar no norte do nosso país antes de regressar a Lisboa, onde casou, comprou casa na Rinchoa e dedicou-se a representar, em desenhos e aguarelas, figuras populares da zona saloia, são famosas as suas representações da Feira das Mercês.
Veio com a sua intervenção a tornar possível a construção da primeira escola para os filhos dos saloios da zona da Rinchoa e Mercês.
Viu o seu nome consagrado ainda em vida pela Sociedade de Belas-Artes. Hoje estão presentes trabalhos seus em diversos museus portugueses e principalmente na Casa-Museu Leal da Câmara.
A Casa-Museu foi pertença do Marquês de Pombal e hospital de campanha durante as invasões napoleónicas. No andar superior preserva-se o salão e a sala de jantar conforme estavam no tempo de Leal da Câmara, existe ainda uma grande área de exposição com ilustrações, caricaturas e papeis pessoais, onde se pode passar pela história politica do nosso país e do mundo (estão lá todas as revoluções e as duas guerras mundiais) na primeira metade do século passado. No piso inferior temos o atelier do mestre com o ultimo quadro que pintava antes da sua morte por acabar ainda no cavalete.
Num segundo núcleo a cerca de 100 metros da casa e já na escola que Leal da Câmara ajudou a construir, encontramos então todos os seus quadros fantásticos sobre os saloios da zona, o seu dia a dia, o trabalho, a feira das Mercês, os namoricos, as festas etc…
Os saloios assim chamados desde o tempo dos árabes, eram os habitantes do campo nos arredores da capital, com a vida dedicada à agricultura e a horticultura, mas também são as vendedoras de fruta e de galinhas, o ferreiro e o carroceiro e tantas outras ocupações. Os homens usavam sempre o seu barrete e faixa à cintura e as mulheres o seu lenço à cabeça atado debaixo do queixo.
Um museu que aconselho a visitar, que nos deixa sempre com a nostalgia de outros tempos.

Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008
Simbologia oculta de Lisboa II
CAVALEIRO DA ESTÁTUA NÃO É D. JOSÉ I MAS S. JORGE
P. - No centro do Terreiro do Paço está a estátua que se diz ser de D. José, da autoria de Machado de Castro, templário e escultor da escola de Mafra. Será que também nela se manifesta um simbolismo oculto?
R. - O cavaleiro da estátua, empunhando o ceptro imperial mandatário e cobrindo-se com um manto, quiçá vermelho, semelhante aos que usavam os cavaleiros da ordem de Cristo e cuja montada branca esmaga as serpentes, sugere ser a própria imagem de S. Jorge, para a Tradição, o Vigilante Silencioso da Pátria Lusitana, expressando na Terra S. Miguel.
O anjo da trombeta, junto do elefante, e o anjo da palma, junto dum cavalo, ambos esmagando o homem velho e a profanidade, designam as Tradições Iniciáticas Oriental-Ocidental unidas, encontradas em Portugal.
Atrás do cavaleiro, nas costas da estátua, encontra-se esculpida a alegoria da aparição do Menino Coroado, sob o apadrinhamento de sua Santa Mãe, sugerindo o futuro Reinado do Espírito Santo, tese já perfilhada pelo abade cisterciense da Calábria, Joaquim de Flora, no século XIII. A arca aberta de um tesouro está aos pés do Menino, e um arquitecto mostra-lhe o plano da Nova Lisboa. Ilustração semelhante a essa encontra-se numa tapeçaria no Convento de Mafra. Por falar em Mafra, símile do Templo de Salomão, as suas dimensões são exactamente as mesmas do Terreiro do Paço e onde se encontra, naquele, o seu altar-mor, está neste precisamente a estátua equestre de D. José I ou de S. Jorge, aqui nesta Praça dos Arcos ou Arcanos. Terrível coincidência...
Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008
Simbologia oculta de Lisboa I
Um mail enviado por uma amiga despertou-me a curiosidade sobre a simbologia escondida em alguns dos nossos monumentos, trata-se de uma entrevista feita a um cabalista (Vítor Adrião) e publicada no Correio da Manhã no ano de 1986 sobre a Lisboa mística e esotérica. Valendo o que valem, que cada um analise por si, achei curioso e parti para um pequeno passeio pelo Terreiro do Paço, onde tirei estas fotografias para ilustrar a veracidade de algumas coisas aqui escritas.
O ARCO DA RUA AUGUSTA
P. - Que simbologia pode conter o famoso Arco da Rua Augusta?
R. - O Arco da Rua Augusta tem profundo significado esotérico. Todas as cidades alicerçadas sobre sete colinas possuem o seu Arco do Triunfo ou da Salvação. O de Lisboa é a síntese sagrada e também estética dos demais espalhados pela Europa e Médio-Oriente. Designa o Umbral dos Mistérios, a passagem das trevas para a Luz, da morte para a Imortalidade que a Sabedoria das Idades concede. Neste Arco encontram-se as figuras de quatro personagens importantes de nossa História: Viriato, chefe dos Lusitanos, que deram o sentido da Nacionalidade nascente; Vasco da Gama, almirante da Ordem de Cristo e que ligou a Ásia à Europa por Via Marítima; Sebastião de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal, que coadjuvado por operativos maçónicos ingleses, franceses, húngaros e portugueses, reconstruiu a velha Lisboa depois do terramoto de 1755 e ordenou reformas sociais as quais abriram um novo ciclo na nossa História; e o Santo Condestável Nuno Álvares Pereira, o qual alguns teimam em associar à figura do Infante D. Henrique, também este vulto imponente na História Portuguesa que o torna deveras ímpar, indo a sua influência directa desde as conquistas militares à abertura de novas cadeiras universitárias, ao apoio às Ordens de Cavalaria e Religiosas, até chegou ao ciclo das Descobertas marítimas que já se habitou chamar de Período Henriquino. Ladeando essas quatro personagens estão as estátuas alegóricas do Tejo e do Douro, precisamente os divinos Génios de Lisboa e do Porto, precisamente expressadas nas cores negra e branca patentes na bandeira da sempre nobre e leal cidade de Lisboa.

Marquês de Pombal - Nuno Álvares Pereira - Douro

Tejo - Viriato - Vasco da Gama
P. - Quem foram os autores dos dois grupos escultóricos dos quais nos acaba de decifrar o significado?
R. - O grupo escultórico de que acabamos de falar é da autoria de Vítor Figueiredo de Bastos, enquanto o grupo alegórico que encima o Arco foi obra do pedreiro-livre e escultor francês Camels. Ele representa a Ibéria, aqui como Grande Mãe Universal, laureando, coroando Apolo e Minerva, a Iluminação e o Entendimento. Ela é a Laureada, a "Coroa dos Magos" da 22.ª lâmina do Tarot.

Minerva - Ibéria - Apolo
OS ARCOS DO TERREIRO REPRESENTAM OS ARCANOS DO TAROT
P. - Se existem analogias com o Tarot, no Arco, haverá mais representações simbólicas do Tarot ou Terreiro do Paço?
R. - O Livro de Tarot é, como se sabe, constituído por 78 cartas ou lâminas, pertencendo as primeiras 22 lâminas aos Arcanos Maiores, ou Esotéricos, e as restantes 56 aos chamados Arcanos Menores, ou Exotéricos. Existe uma intencionalidade na própria arcaria do Terreiro do Paço ultrapassando, sem dúvida, a sua função estrutural da sua arquitectura. Os edifícios laterais contêm 28 arcos cada um, cuja soma total é de 56 arcos, ou Arcanos Menores. Na fachada principal, entre as Ruas do Ouro e da Prata, contamos, por outro lado, 22 arcos, 11 em cada direcção, a partir da Rua Augusta. Ora 22 arcos correspondem, exactamente, ao número dos 22 Arcanos Maiores ou Iniciáticos. Se aplicarmos a cada arco o arcano que lhe corresponde, possuímos a chave interpretativa de um ciclo completo de manifestação: relativamente aos 56 arcos, a manifestação profana, e quanto aos 22 arcos frontais, entre as Rua do Ouro e da Prata, a realização oculta.

Os onze arcos entre a Rua Augusta e a da Prata
Quinta-feira, 16 de Outubro de 2008
Lendas de Sintra - Palácio Nacional
No Palácio Nacional de Sintra existe uma sala cujo tecto está pintado com diversos desenhos de pegas. Diz-se que o rei e a rainha que lá viviam nessa época fizeram casar mais de um cento de mulheres, entrando na conta as que ele próprio casou também, seguindo tão bons exemplos. Não havia uma ligação ilícita, nem um adultério conhecido. A corte era uma escola. D. Filipa, pregando ao peito o seu véu de esposa casta, com os olhos levantados ao céu, não perdoava. Terrível, na sua mansidão, trazia o marido sobre espinhos. Certo dia, segundo reza a lenda, em Sintra, o rei esqueceu-se, e furtivamente pregava um beijo na face de uma das aias, quando apareceu logo, acusadora e grave, sem uma palavra, mas com um ar medonho, a rainha casta e loura. D. João, enfiado, titubeando, disse-lhe uma tolice: "Foi por bem!!!". A rainha saiu solenemente. Eram ciúmes? Não, ciúmes só sente quem está apaixonado, e não era o caso. Apenas sentia o seu orgulho ferido. Rapidamente a notícia se espalhou pelo palácio, e toda a criadagem andava com a frase "Foi por bem" na boca. Chateado com a situação, o rei decidiu tomar uma iniciativa, mandou construir uma sala para a criadagem. Todos ficaram radiantes e contando os dias que faltavam para a sala estar pronta. Finalmente chegou o dia, iam conhecer a sala. Qual não foi o espanto de todos ao verem que o tecto de tal sala estava todo pintado com pegas, que tinham escrito no bico "Pour Bien" (por bem).

Note-se o muro que fechava a praça do palácio antigamente